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Tumores

Dra. Valéria Marques

Dra. Valéria Marques

Neurocirurgiã Pediátrica | CRM 97485

O que são?

Os tumores cerebrais na criança são raros e bastante heterogêneos: há desde tumores muito agressivos, até aqueles que podem ser curados cirurgicamente, sem a necessidade de quimioterapia ou radioterapia.

Embora os tumores sejam classificados como benignos ou malignos, tal classificação no cérebro é insuficiente para se determinar prognóstico ou tratamento. Explica-se: um tumor considerado benigno pode estar localizado em uma área muito profunda, eloquente ou aderida em vasos sanguíneos, o que pode prejudicar ou mesmo impedir sua ressecção. 

Sintomas

Os sintomas mais comuns são a cefaleia (dor de cabeça), em geral acompanhada de náuseas e vômitos. Dependendo da região onde está o tumor, a criança pode apresentar déficit na sua coordenação, falta de equilíbrio, fraqueza de um dos lados do corpo e convulsões. 

Tratamento

O período de recuperação geralmente envolve repouso, fisioterapia, reabilitação, medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos. Além disso, será necessário realizar cuidados com a ferida operatória como limpeza com sabonete neutro, evitar exposição excessiva ao sol, contaminações e contato com animais. A alimentação não costuma interferir na recuperação da cirurgia, mas recomendações gerais são interessantes, como evitar excesso de sal, doces e alimentos que possam causar intoxicações (comidas de procedência incerta ou contaminados). Os cuidados variam conforme o local da cirurgia, e deve-se seguir todas as recomendações da equipe médica especializada.

Tipos de Tumores

Tumores do crânio (osso da calota craniana): são tumores que se desenvolvem no osso craniano, e em geral, é notado como um ou mais (carocinhos na cabeça). Algumas doenças hematológicas causam tumores cranianos assim como em outros ossos do corpo, então é comum que o médico que está avaliando a criança investigue não somente o crânio, mas outros ossos e o sangue da criança.

Craniofaringiomas: são tumores muito raros, que embora sejam considerados benignos, estão localizados em uma área profunda e de anatomia complexa: é muito comum este tumor comprimir a glândula hipófise (que produz vários hormônios, inclusive o de crescimento), e os nervos ópticos (responsáveis pela nossa visão). O tratamento pode ser cirúrgico, ou aplicação de quimioterápicos através de um cateter colocados diretamente no tumor.

Meduloblastomas: são tumores originados de células bastante primitivas do cerebelo (órgão responsável pelo equilíbrio e coordenação em humanos). Sendo assim, comumente provocam tontura, desequilíbrio, tremores e incoordenação (a criança cai frequentemente, ou anda com as pernas afastadas, para manter o equilíbrio). Além disso, com o crescimento do tumor, pode haver obstrução ao fluxo do líquor, e a criança pode desenvolver hidrocefalia. O tratamento do meduloblastoma é bastante complexo, e inclui cirurgia para a retirada de maior quantidade de tumor possível, seguido de quimioterapia e radioterapia na maior parte dos casos. É muito comum que a criança necessite também do implante de uma válvula.

Ependimomas: são tumores derivados das células ependimárias, principais responsáveis pela produção de líquor. Os Ependimomas podem se desenvolver no cerebelo da criança, mas também podem ser encontrados nas cavidades ventriculares, e na medula.

Astrocitomas: são tumores derivados dos astrócitos, célula muito abundante em todo o encéfalo. Na criança, a localização dos Astrocitomas é no cerebelo, mas também pode acometer os hemisférios cerebrais e a medula. Os astrocitomas podem variar desde muito agressivos (os chamados astrocitomas de alto grau) até astrocitomas pouco agressivos (astrocitomas de baixo grau). Estes últimos muitas vezes são passiveis de ressecção cirúrgica completa e cura.